Simpósio Temático (ST)

ST 01: “Tamanho não é documento”? Ou o valor sociocultural do pênis no mercado pornô contemporâneo

Entre os séculos XVIII e XIX, simbolizava-se artisticamente o pênis em proporções menores, ao gosto grego, tentando diminuir o mal-estar plástico que o órgão provocava na sociedade europeia daquela época. Com o advento da fotografia, no final do século XIX, segundo Aboudrar (2012), a preocupação de alguns artistas começou a focalizar o pênis em suas dimensões naturais com a utilização de corpos, até então, não retratados, de lutadores de feira e de ex-soldados pagos, por exemplo. Inicia-se, portanto, uma prática descritiva – que segue até o presente – de representar o pênis de trabalhadores como maiores e mais próximo da animalização, vinculando-os a categorias de irracionais e viris. Esse imaginário erótico acabou reforçando a percepção racializante e de classe social relacionada às dimensões penianas. Portanto, funcionando como um dispositivo de exclusão e inferiorização desses sujeitos. As condições sociais e origens étnicas tornam-se mais contundentes – a partir da década de 50 do século passado – como matrizes da iconografia homoerótica. Não foi a toa que marinheiros, biscateiros, negros e árabes das colônias europeias tornaram elementos arquetípicos de virilidade masculina. Assim, a ostentação do pênis com sua ereção e seu inchaço, antes uma vergonha artística, tornou-se orgulho pornográfico. Esse quadro fomentou a pornografia gay – especialmente nos EUA e na Europa – um mercado que se tornou ávido consumidor para exibição do sexo de homens exóticos de ex-colônias europeias. No Brasil, em sintonia com essas demandas, a figura do “morenão/negão pauzudo” tornou-se também elemento chave do segmento pornográfico que acabou legitimando discursos animalizam e racializam tais indivíduos. Diante desse quadro, este simpósio propõe refletir e agregar pesquisas preocupadas em entender discursos em torno dessas masculinidades em relação à imagem do pênis na produção pornográfica contemporânea.
COORDENAÇÃO: Danie Marcelo de Jesus, Gabriel de Oliveira Rodrigues.

ST 02: A construção da identidade de gênero negrx em textos e discursos

A produção textual e literária não é neutra. O discurso traz implícita ou explicitamente valores e preconceitos compartilhados. Muitas vezes, através de narrativas aparentemente inocentes, o discurso oculto busca manter estereótipos sociais. Assim, o nó da exclusão social atinge especialmente negrxs que fogem do binarismo homem x mulher, pois, como afirma Butler (2003), o sujeito é formado por estruturas de poder sexuadas e generificadas, sofrendo preconceito e discriminação. A autora desconstrói tais categorias e propõe a indeterminação e a instabilidade de todas as identidades sexuadas e generificadas. Nesse sentido, o indivíduo tem livre-arbítrio na construção do corpo, porém isso não ocorre em relação à cor da pele. Dessa forma, os textos fazem parte dos artefatos culturais que podem ser importantes instrumentos para transmissão de padrões, com discursos que reafirmam o racismo e o binarismo. Por outro lado, os textos podem produzir discursos que disseminam a liberdade, a igualdade de gênero e o combate ao racismo. Por isso, é preciso atentar para a forma como xs autorxs constroem seus discursos, considerando-se que, em geral, são fortemente gendrados e hierarquizados, mas também apresentam relações igualitárias. Desse modo, o objetivo do presente GT é debater como, nos textos, a constituição da identidade de gênero é ainda mais difícil quando há interseccionalidade com racismo; podendo, igualmente, apresentar nas entrelinhas a desconstrução do binarismo e o combate aos marcadores raciais, contribuindo para a igualdade.
COORDENAÇÃO:Zionel Santana, Terezinha Richartz

ST 03: A teoria QUEER chega à áfrica

Este ST se propõe apresentar as contribuições da crítica queer elaborada no continente africano ou a partir de ativistas e acadêmic@s de origem africana. A teoria queer africana desenvolve-se a partir da dupla crítica dirigida contra os líderes locais e suas políticas homofóbicas, e contra a maioria das ONGs LGBT internacionais, cujas representações da África e dos africanos encarnam estereótipos neocoloniais e racistas. Em continuidade com muitos dos argumentos da crítica queer of color, @s autor@s african@s da dissidência sexual propõem uma visão descolonizada da sexualidade e da condição queer.
COORDENAÇÃO: Caterina Alessandra Rea, Thamy Ayouch

ST 04: As religiões afro-brasileiras e sua influência no falar dos LGBTQI

A proposta deste Simpósio Temático, intitulado “As religiões afro-brasileiras e sua influência no falar dos LGBTQI” pretende reunir pesquisadores (as) que tenham como temática de estudo a variação cultural da linguagem usada por gays, lésbicas, travestis, etc, no seu dia-a-dia e sua relação com os terreiros de religiões africana e afro-brasileira, que remete de imediato, a história da língua portuguesa no Brasil, que é balizada em três pilares: a diversidade, a proibição da diversidade e a discriminação. Falar de “língua” é falar de política, de uma ideologia, utilizada ora como meio de domínio e ora como meio de rebelar-se contra um sistema, como meio de criação de uma identidade, como forma de pertencer a um determinado grupo. Sabendo que a sociedade brasileira foi forjada em moldes cristãos, heteronormativos, com padrões elitizados de fala, que exclui a minoria, representada por negros, pessoas de baixa renda, índios, homossexuais, adeptos de religiões afro-brasileiras, é possível afirmar que, através do falar, muitos consigam criar uma identidade, estabelecer variantes que representem a contracultura das favelas, do camponês, dos homossexuais, dos terreiros, das mulheres, enfim, uma linguagem que reflita a minoria.
COORDENAÇÃO: Celio Silva Meira

ST 05: Corporalidades em debate: corpo como documento e fonte de informação

Em seus estudos sobre representações sociais e estigma Erving Goffman cunhou o termo informação social, referindo-se às mensagens transmitidas de modo intencional ou involuntário pelo corpo humano em situações de interação. É com base nesse conceito que o sociólogo canadense permite que o corpo seja pensado como fonte de informação (emissor de mensagens) e como documento (suporte de mensagens), ou seja, como materialidade biológica carregada de significados inscritos ao longo da biografia de cada pessoa, sujeito a manipulações, interpretações equivocadas e atravessado por preconceitos de toda ordem. Em uma perspectiva interdisciplinar, este simpósio temático acolhe estudos e pesquisas em diferentes áreas do conhecimento sobre a análise do potencial documental e informacional do corpo humano, com foco na corporalidade de pessoas gays, bissexuais, lésbicas, travestis, transexuais e cross dressers. São convidadas a contribuir com o debate as investigações fundamentadas em biografias ou autobiografias, bem como na literatura, em material da Internet, em acervos pessoais ou institucionais (fotográficos, audiovisuais, arquivísticos ou museológicos), incluindo aqueles produzidos pela experiência militante de ONGs dedicadas à defesa dos direitos das pessoas em tela. Entre outras possibilidades de análises e reflexões, este simpósio temático também acolhe estudos e pesquisas sobre o corpo de pessoas gays, bissexuais, lésbicas, travestis, transexuais e cross dressers nos seguintes temas: classificações estéticas do corpo na homocultura; corpo e transição de gênero; corpo como objeto de desejo e/ou de ódio; corpo e expressão de gênero; montagem; corpo e negritude; corpo migrante; corpo e violência; corpo e etnia; corpo e política; representações do corpo nos meios de comunicação de massa, na moda, nas artes, na ciência e na religião; corpo e pornografia; corpo e prostituição e outros temas que contribuam para o aprofundamento da compreensão do potencial documental e informativo do corpo no universo da diversidade humana.
COORDENAÇÃO:Karla Cristina Damasceno De Oliveira, Rubens Da Silva Ferreira

ST 06: Corpos, diversidades sexuais e educação: problematizações dos espaços educativos e dos processos formativos dos sujeitos

O objetivo do eixo temático é congregar trabalhos que discutam as relações de construção envolvendo os corpos, as diversidades sexuais e os espaços educativos. Estes espaços serão entendidos não somente como aqueles mais formais como as escolas e universidades, mas também os que dizem da constituição dos sujeitos de modo mais abrangente, tais como as mídias, o cinema, as redes sociais, as propagandas, os ativismos na Internet, entre outros. Com isso queremos abrir a possibilidade de diálogos entre diferentes áreas de conhecimento e não somente o campo da Educação, privilegiando os modos de subjetivação como processos educativos, de maneira que possamos envolver também diferentes perspectivas téorico-metodológicas ancoradas na ideia de problematização. Assim, pretendemos reunir trabalhos resultantes de pesquisas, em diferentes campos, especialmente nas ciências humanas e sociais, e ensaios analíticos que dialoguem com as construções dos corpos e das diversidades sexuais tomando como foco diferentes instâncias e processos educativos, desde as pedagogias escolares (relações pedagógicas, materiais, normas), processos formativos, até as pedagogias culturais que abarcam variados rituais e artefatos, sob uma perspectiva construcionista de análise.
COORDENAÇÃO:Anderson Ferrari, Roney Polato De Castro

ST 07: Corpos, gêneros e sexualidades: relações de saber/poder e a construção de subjetividades

Este Simpósio Temático se propõe a reunir pesquisas que analisem as articulações de gênero e sexualidades com diferentes marcadores sociais de identidades e diferenças, entre eles raça, etnia e geração a partir de um referencial teórico e metodológico de base foucaultiana. No campo dos estudos feministas, de gênero e de sexualidades, tem-se produzido epistemologias que localizam e interrogam corpos e saberes em contextos diversos, bem como discutem os discursos de saber/poder que atravessam e constituem as subjetividades. Tais perspectivas permitem analisar os diferentes modos de produção de corpos abjetos e a (in)visibilização de marcadores sociais, questionando referenciais e narrativas universalizantes.
COORDENAÇÃO:Maria Cristina Lopes De Almeida Amazonas, Francisco Francinete Leite Junior

ST 08: Cuierlombismo - vivências, poéticas, performances e políticas na e da diáspora negra sexual-dissidente

Este simpósio temático busca abarcar e apresentar investigações e interpretações recentes e inovadoras que versem sobre entrelaçamentos interseccionais possíveis em vivências, poéticas, performances e políticas elaboradas na diáspora negra sexual-dissidente, com base em abordagens desenvolvidas nas áreas da linguagem, ciências sociais e humanas, no Brasil e/ou no exterior. Propomos, assim, que este ST dedique especial atenção às associações entre as múltiplas facetas das temáticas: negritude, gênero, sexualidade e demais marcadores sociais da diferença, abrindo espaço para a compreensão do cruzamento entre seus significados particulares no debate social contemporâneo, o que denominamos "cuierlombismo" - cuja modificação da palavra queer > cuier tem a ver com o sotaque afroameríndio na conceituação colonizada da dissidência sexual. Tal denominação é uma releitura do conceito de "quilombismo", apresentado e debatido por Beatriz do Nascimento e Abdias do Nascimento, associando-o às questões relativas à dissidência sexual na diáspora negra. Nesse sentido, o objetivo mais geral deste ST é dar espaço para o reconhecimento da pluralidade que (re)compõe e (re)constrói a diáspora negra no Brasil e no exterior, especialmente em trabalhos que debatam narrativas (auto)biográficas ou expressões artísticas (literatura, artes visuais e cênicas, performance, música etc.), percebendo as inter-relações possíveis entre a construção dos modos de vida de pessoas negras com as relações dissidentes de gênero e sexualidade – bem como de outras marcas sociais diferenciadoras – em uma dimensão na qual se visibilizam ações e transformações subjetivas, sociais e culturais articuladas ao tema.
COORDENAÇÃO: Pedro Ivo Silva, Tatiana Nascimento Dos Santos

ST 09: Devires-desejos dissidentes e(m) direitos humanos

Como continuidade dos ST´s e GT´s organizados em congressos (in)ternacionais pelos propositores (e/ou em parceria com outrxs pesquisadores) nos últimos anos, o presente ST tem por objetivo fomentar e amadurecer as discussões incitadas por projetos (pesquisa, extensão ou intelectual) que dialoguem (in)diretamente com temáticas que tocam o acesso a direitos, raça, corpo, etnia sexualidade e gênero em suas intersecções frente a outros marcadores/construtos tais como: cosmologia, saúde, geração e religião. Nossa proposta busca problematizar as constantes reificações de universalizações essencializadoras impostas pelos binarismos consubstancializados em oposições formais que engendram análises e/ou descrições estáticas. A título de ilustração e provocação, cabe (re)lembrarmos que vivemos em meio às (re)produções das diferentes nuances dos fundamentalismos decorrentes dos binarismos que opõem natureza/cultura; sexo/gênero; não indígena/indígena; branco/negro; oriente/ocidente, dentre outras segmentações nefastas que se esgotam em si e contra “o outro”. Em síntese, buscamos trazer à baila a circulação de discussões a respeito de sujeitos à margem dos discursos de autoridade, inclusive, daqueles corpos/performances que são exterminados porque considerados como vidas não choráveis, e enfim, abjetas e/ou matáveis. Corpos e performances resistentes e produtores de re-existências. A metáfora do rizoma de Gilles Deleuze e Félix Guattari nos inspira a buscar as problematizações das pluralidades de sentidos que as mais diversas experimentações compartilhadas nesse espaço do GT possam vir a assumir, em meio aos não menos plurais projetos dos participantes.
COORDENAÇÃO: Esmael Alves De Oliveira, Simone Becker

ST 10: Diálogos descoloniais entre movimentos sociais e as instituições: é possível usar o discurso de direitos como caminho emancipatório?

Os movimentos sociais feministas e LGBT, como outros, há muito vêm ocupando as ruas e denunciando as violências naturalizadas como práticas das instituições. Tem-se buscado também pressionar o Estado por meio de diálogos com as instituições, como os conselhos profissionais, o judiciário, o executivo e o legislativo. Para tanto, o discurso de direitos vem, historicamente, sendo muito utilizado. Temos conseguido algumas conquistas, mas ao mesmo tempo muitas demandas têm sido deixadas para trás e/ou negligenciadas, em especial as de pessoas consideradas subalternizadas. A despatologização das homossexualidades e a ainda patologização das transidentidades é um exemplo clássico disto, assim como o pouco engajamento do movimento LGBT com pautas feministas importantes, como a descriminalização do aborto e o combate a cultura de estupro que atinge mulheres e pessoas trans. Essa “negligência” tem levado segmentos LGBT a levantarem críticas sobre um certo conservadorismo ou garantismo de direitos por um movimento LGBT hegemônico que, ao adentrar uma lógica garantista de direitos estaria se aliando a políticas de um capitalismo neoliberal excludente. Destaca-se que os movimentos LGBT que conseguem brechas para diálogos com as instituições estariam mais interessados na manutenção de estruturas sociais com conquistas de direitos a uma elite seleta desse movimento, ao invés de numa efetiva emancipação e combate às desigualdades. Tendo esses temas como incitadores, mas não nos atendo a eles, neste Simpósio temos interesse em trabalhos que tomem a descolonialidade como perspectiva, ou seja, considerem, o impacto real de demandas e de conquistas nas vidas de pessoas LGBT, seja pela reflexão teórica de possibilidades emancipatórias pelo discurso de direitos, seja pelo relato de experiências, em especial no Brasil e nos países da América Latina, mas também em outros países que passaram por processos colonizatórios e/ou imperialistas.
COORDENAÇÃO: Guilherme Cruz De Mendonça, Heloisa Melino

ST 11: Direito, gênero e sexualidades

_
COORDENAÇÃO: Michelle Barbosa Agnoleti, José Baptista De Mello Neto

ST 12: Discursos transviados: por uma linguística QUEER

As provocações queer se alastraram por diversas áreas do fazer científico. Hoje, já se fala em Antropologia Queer, Sociologia Queer, Psicologia Queer, Geografia Queer, Historiografia Queer, e o presente ST visa a discutir as potencialidades de uma Linguística Queer. À primeira vista, o sintagma “Linguística Queer” pode parecer um paradoxo. Afinal, como a Linguística, disciplina tida como a “mãe” do estruturalismo, se relaciona com a Teoria Queer, a “filha” mais rebelde do pós-estruturalismo? Desde a década de 1990, estudiosxs da linguagem no contexto anglo-saxão têm se debruçado sobre a questão de como a bem-comportada Linguística pode dialogar com a monstruosidade subversiva queer. Este ST pretende explorar como Linguística Queer não é um paradoxo, mas sim um oximoro: ao sobrepor campos de significação aparentemente excludentes, cada um dos termos do par retroalimenta o outro e oferece um poderoso aparato analítico para a investigação dos processos de construção discursiva de (hetero/homo)normatividades e seus efeitos materiais nos corpos e nas subjetividades interpelados nesse processo. Os debates sobre Linguística Queer completaram 20 anos em 2017 (a primeira publicação, no contexto anglo-saxão, foi o livro Queerly Phrased de 1997) e contam com uma extensa literatura em inglês com artigos em periódicos e livros publicados por editoras renomadas, mas tiveram pouca entrada no contexto brasileiro. Assim, este ST pretende trazer essa discussão para os lados de cá, reunindo trabalhos que discutem como a aproximação do queer à Linguística nos permite pensar o papel central da linguagem na (des)regulação das sexualidades e das identidades. Serão acolhidos trabalhos que pensam, nos sabores tupiniquins, sobre a contribuição que a Linguística Queer pode ter para o estudo da (des)construção discursiva de normatividades e das relações de assujeitamento e resistência que gêneros e sexualidades dissidentes entretêm com as normas.
COORDENAÇÃO: Elizabeth Sara Lewis, Rodrigo Borba

ST 13: Dissidências de gênero e sexualidade em contextos interioranos e rurais

Esse simpósio tem como objetivo reunir estudos sobre sexualidades dissidentes e as múltiplas formas de expressões de gênero, em contextos poucos visibilizados como: cidades pequenas, contextos rurais, indígenas, entre outros. Tem o intuito de discutir e refletir sobre as múltiplas formas de viver a identidade de gênero, a identidade sexual e/ou práticas sexuais dissidentes à heterossexualidade compulsória; e pretende dialogar sobre as negociações de enfretamento e resistência à adequação. Ainda que o debate sobre gênero e sexualidade esteja em constante expansão, a sexualidade em contextos interioranos e rurais ainda é pouco discutida no âmbito acadêmico. Os estudos que contemplam a discussão de gênero nestes territórios tem-se voltado para as questões do trabalho, família, participação política, produção agrícola, etc., promovendo a perpetuação de um silêncio sobre as vivências que se distanciam das expectativas de gênero apoiadas na heteronormatividade. A discussão proposta aqui se apoia na compreensão das construções sociais em torno do gênero, sexualidade e a produção de uma normatividade. Desta forma, faz-se importante compreender as repercussões dos discursos relativos à construção identitária de gênero, que perpassam todos os níveis sociais e acabam definindo uma normatividade no campo da sexualidade. Assim como, vamos buscar compreender as repercussões de preconceito e discriminação com as dissidências sexuais e /ou de gênero. É importante também considerar a relação entre gênero e sexualidade e os marcadores sociais (classe, raça, religião...) e suas repercussões sobre a trajetória dos sujeitos. Com isso, é importante pensar nas estratégias de negociação e resistência à norma nesses contextos, já que os sujeitos são convocados a lidar com a pessoalidade, controle, religiosidade, parentesco, disciplina e vigilância, em um contexto onde as expressões de gênero e sexualidade ficam mais perceptíveis devido ao seu território limitado.
COORDENAÇÃO: Lorena Lima De Moraes , Nicole Louise Macedo Teles De Pontes

ST 14: Diversidade sexual e de gênero e política institucional na contemporaneidade

O Simpósio Temático “Diversidade sexual e de gênero e política institucional na contemporaneidade” pretende estabelecer um ambiente de interlocução e reflexão crítica sobre a cidadania, direitos e participação da população LGBT e de outras dissidências sexuais e de gênero na contemporaneidade focando as complexas interfaces entre a sociedade civil e o Estado. Como o próprio título indica, acolhe uma variedade de trabalhos, sob diferentes abordagens teóricas e metodológicas, que tenham como objeto de estudo dinâmicas institucionais, extra-institucionais e a interação entre elas na busca pela efetivação, ampliação e/ou manutenção de direitos. Por dinâmicas institucionais compreendemos distintos processos desenvolvidos no seio das instituições democráticas, tais como nos Poderes Executivos, Legislativos e Judiciários em âmbito local e nacional; por dinâmicas extra-institucionais nos referimos à sociedade civil e sua heterogênea organização e ação coletiva visando a transformação ou perturbação de ordens assimétricas, opressoras e violentas; pela interação entre elas queremos falar das diversas interlocuções estabelecidas entre o Movimento LGBT e o Estado. Em outras palavras, este ST tem interesse em pesquisas sobre políticas públicas, participação social, movimentos sociais, protestos, partidos políticos, representação política, candidaturas, eleições, conselhos gestores, conferências, comitês, audiências públicas, processos legislativos ativismo junto às instâncias judiciais, entre outras temáticas interdisciplinares, da ciência política, da sociologia política e demais ciências sociais, todas atinentes à população LGBT e demais dissidências sexuais e de gênero. O ST pretende ser um espaço de reflexão e debate sobre os dilemas, impasses e possibilidades para a promoção da diversidade sexual e de gênero no tortuoso processo de construção democrática, particularmente no contexto atual de recrudescimento dos fundamentalismos.
COORDENAÇÃO: Cleyton Feitosa Pereira , Gustavo Gomes Da Costa Santos

ST 15: Diversidade sexual e gênero: emoções, moralidade e marcadores sociais da diferença

Neste Simpósio Temático buscamos realizar um diálogo aproximativo entre os estudos sobre a diversidade sexual e as performatividades de gênero e os estudos sobre a emoção e a moralidade em articulação com os estudos sobre marcadores sociais da diferença. Trata-se, de um lado, de problematizar as ambiguidades e as ambivalências que são constitutivas da tensa relação entre subjetividade e objetividade na construção do social; de outro, de discutir os campos de possibilidades que permitem capacidades de agir e de desestabilização dos sistemas normativos e dos modelos hegemônicos que prescrevem formas de produzir estilizações sexuais e performatividades de gênero. Nessa proposta de ST buscamos, por fim, reunir resultados de pesquisas concluídas ou em andamento que deem continuidade aos debates realizados nos eventos anteriores em que coordenamos este ST, tais como, Seminário Internacional Enlaçando Sexualidades (2015), o Seminário Internacional Desfazendo Gênero (2015/2017) e o Congresso Internacional da ABEH (2016). Para, assim, construir um quadro representativo das principais abordagens teóricas e experiências de pesquisas empíricas sobre o tema proposto.
COORDENAÇÃO: Denise Machado Cardoso, Jainara Gomes De Oliveira

ST 16: Diversidade sexual, de gênero e relações étnico-raciais

Este simpósio temático propõe a discussão a partir de resultados de pesquisas teóricas e empíricas que abordam a diversidade sexual e de gênero, consideradas em sua interseccionalidade com questões étnico-raciais, de classe e geracionais. Entendemos que as vulnerabilidades sociais, bem como as formas de preconceito e discriminação, ocorrem de forma diferenciada em grupos com diferentes marcadores identitários, de modo que se tornam potentes análises que incorporem recortes interseccionais. Inúmeras instâncias e instituições (família, mídias, religiões, escola...) encontram-se implicadas na produção dos discursos que engendram os sujeitos e suas marcas. Ao produzir tais discursos, colocam em ação estratégias de governo que atuam na produção dos modos de ser na sociedade. Tais estratégias envolvem padrões e valores que, hegemonicamente, vêm instituindo o “normal” e o “anormal” no que diz respeito aos modos de viver gêneros, sexualidades e raça-etnia. Assim, propomo-nos a discutir trabalhos e pesquisas que transitem neste contexto, questionando as práticas que instituem como os sujeitos “devem” proceder e parecer, constituindo "verdades" sobre seus corpos, regulando suas condutas e instituindo seus lugares sociais. Também buscamos discutir trabalhos que analisem diferentes artefatos culturais (programas televisivos, livros, filmes, anúncios publicitários, músicas, sites, redes sociais, dentre outros), entendendo-os como portadores de pedagogias, que ensinam modos de ser e de viver os gêneros, as sexualidades e as relações étnico-raciais.
COORDENAÇÃO: Cassiane De Freitas Paixão, Raquel Pereira Quadrado

ST 17: Diversidade sexual, literatura e artes da cena

Segundo Antonio Candido (in: A Literatura e a formação do homem), o direito à literatura é fundamental para a humanização dos sujeitos, inclusive porque a literatura educa como a vida, “com altos e baixos, luzes e sombras” (2002: 84). Se pensamos em um retorno cronológico ainda maior, volvemos a Aristóteles em sua Poética, a qual mais parece um tratado sobre a importância da epopéia e da representação para o ser humano, ou seja, um lugar de representação ‘da e para a vida’: eis o teatro, a literatura, as artes em geral. Para além de tudo que envolve a atividade teatral (sua carpintaria, a arte da atuação, os encenadores, a iluminação, os figurinos e cenários...), configura-se uma literatura dramática (seja ela escrita já para a encenação), ou o tratamento dado à poes ia ou ficção como potência encenável (no dizer de Dénis Guénoun, o fenômeno teatral é a própria ”exibição das palavras”). Também a literatura, o cinema, as artes midiáticas e performáticas podem exprimir a representação da vida dos sujeitos. Estamos, então, diante de um manancial do estudo da linguagem artística da literatura em sua potência como escritura e em sua potência como encenação, ou escrita/“metáfora visível” (segundo Ortega y Gasset). Um espaço para a construção dos corpos/ gêneros na cena em suas múltiplas tessituras e possibilidades se abre. Neste Simpósio, buscamos refletir e agregar estudiosos que se dediquem a pensar as interfaces entre a diversidade de gênero/sexo, a literatura dramática, a literatura e as outras artes e suas interfaces com a encenação e com as outras produções e gêneros literários tornados potência cênica, destacando a dimensão política do fenômeno artístico e sua imensa contribuição para a formação de leitores mais críticos e ativos em sua condição de cidadãos.
COORDENAÇÃO: Fábio Camargo, Renata Pimentel Teixeira

ST 18: Divisão sexual do trabalho, relações de gênero e diversidade sexual: desafios atuais e interlocuções com a ciência & tecnologia (c&t) e a educação profissional

No mundo globalizado contemporâneo o expressivo avanço tecnológico e a crescente diversidade das identidades socioculturais dos sujeitos trabalhadores e educandos acarretaram mudanças substanciais nas relações sociais. O trabalho em sua acepção ontológica - como fundante do ser social -, ou na sua tradução capitalista - como agente que forma e deforma o sujeito -, assim como a educação profissional, objetivada em ambientes formais e não formais, estão imbricados nas relações de gênero, não apenas na binaridade masculino-feminino, como também em toda a complexidade da diversidade sexual presente na sociedade atual. Nesse contexto, a produção e utilização da tecnologia têm lugares privilegiados, uma vez que acarretam impactos e consequências diretas nas relações de trabalho e na formação profissional, em particular, e nas relações sociais, em geral. Problematizar a geração e a utilização da tecnologia, a realização da técnica nas relações de trabalho e a educação profissional e tecnológica, tomando as relações de gênero e a diversidade sexual como objetos de estudo em recortes específicos, trazem questões a serem debatidas tanto na divisão do trabalho na sociedade como no interior do processo laboral e nas instituições de educação profissional e tecnológica. As relações sociais se alteram na diversidade técnica, nas múltiplas atividades manuais e intelectuais distribuídas na organização das funções e tarefas perpassadas pelas questões de gênero e pelas identidades sexuais dos sujeitos trabalhador@s. Assim, o presente simpósio propõe-se a contribuir para o debate acadêmico acerca das questões relacionadas às temáticas elencadas, abordando as correlações, interlocuções, diálogos, avanços e desafios evidenciados nas relações de gênero e na diversidade sexual imbricadas nas relações de trabalho, na educação profissional e tecnológica e na produção e utilização da tecnologia
COORDENAÇÃO: Marilza De Oliveira Santos , Raquel Quirino Gonçalves

ST 19: Exercício parental, conjugalidades dissidentes e a contracultura: diálogos entre a resistência cultural e as construções familiares não-normativas

Este simpósio temático inscreve-se no campo da defesa dos direitos humanos e objetiva reunir trabalhos que sigam uma perspectiva transdiciplinar, que abordem expertises acadêmica e do exercício profissional relacionado ao atendimento direto da população LGBTTIQ+. Pesquisas acadêmicas e/ou profissionais que tratem as questões de adoção judicial de filhos, conjugalidades não-normativas, incluindo, mas não limitando-se a, as áreas de educação, saúde, assistência social e sistema de justiça. Os artefatos culturais que dialogam com os constantes abusos sofridos por arranjos familiares tidos como dissidentes podem tanto situar quanto discutir silenciamentos sofridos pelas minorias sexuais e de gênero frente ao forte fundamentalismo em ascenção no Brasil. Projetos de Lei que tentam impor uma mordaça na discussão dos assuntos relacionados a diversidade sexual e de gênero funcionam como violências simbólicas a construção do direito de existir para essas sexualidades não-normativas. A proposta deste simpósio é estender a discussão para as possibilidade de homossexualidades e transgeneridades nos diferentes momentos da existência humana e as implicaturas dessas possibilidades na construção do arranjo familiar e na questão da adoção judicial. Práticas homonormativas recentes têm gerado violências significativas a grupos familiares tidos como não normativos. Dito de outra maneira, a normatividade exercida como um simulacro heterossexista intenta modular a experiência das diversidades sexuais e de gênero dentro da ótica heteronormativa. Com isso, se invizibiliza as possibilidades de existência e de ser família para aqueles que não conformam com essa estrutura, como por exemplo, um casamento limitado a uma díade, mesmo que na esfera transviada. Desse modo é importante refletir como a assimilação do padrão heterossexista vem marginalizado a diversidade de modos de existir. Este simpósio, portanto, está aberto para propostas que se apresentem como resistência cultural e social aos paradigmas impostos que reduzem as nossas lutas para aquilo que é instituído como natural e reproduzido constantemente mesmo dentro da comunidade LGBTTIQ+.
COORDENAÇÃO: Lindomar Expedito Silva Darós, André De Oliveira Nascimento

ST 20: Expressões socioculturais das masculinidades no campo das identidades de gênero.

Os estudos contemporâneos atuais, desconstrucionistas e interseccionais, sobre as performances no campo das identidades de gênero rechaçam veementemente teorias fixas ancoradas em papéis binaristas do que seria designado - principalmente até a década de 1980 no Brasil - como "homem" ou "mulher". A(s) masculinidade(s) - como a(s) feminilidade(s) - não representam somente meras formulações culturais a partir de dados naturais. Há vários modelos de masculinidades construídos de acordo com a inserção do indivíduo na estrutura sociopolítica, histórica, econômica e cultural. Sendo assim, o simpósio propõe o compartilhar de experiências que descortinem novas dimensões da(s) masculinidade(s), entrelaçando-as com as principais conquistas políticas adquiridas dos movimentos LGBTQ e feministas. Tais expressões merecem destaque, posto que sejam construídas a partir de marcos sociohistóricos que contrariam um modelo único de “masculinidade hegemônica”, estabelecido com base em atributos, valores e condutas dos seres humanos. Com isto, pretendemos mediar discussões que fortaleçam o diálogo crítico entre saberes que se apoiam nas ciências humanas, sociais e da saúde, que ao mesmo tempo sejam divergentes na maneira como transcendem a questão das desigualdades e intempéries das questões voltadas a(s) identidade(s) de gênero(s). Sem esquecer o diálogo entre marcadores sociais como: a pobreza e as redes de submissão que o poder midiático alimenta. É desejo nosso que o simpósio possa ser momento de (re)encontro entre pessoas interessadas nas questões políticas presentes na diversidade de expressões masculinas em contextos diversos e que nos auxiliem na proposta de garantir/dar visibilidade a diferentes histórias de vida entrelaçadas nas trajetórias dos serviços de saúde no Brasil, na África e outros países, que resistem e reinventam os gêneros de modo performático-libertário a favor da vida e da igualdade de direitos.
COORDENAÇÃO: Aline Maria Barbosa Domício Sousa, Aline Veras Morais Brilhante

ST 21: Fora do eixo: pesquisas em contexto erotizados/generificados/racializados

Dando continuidade aos debates iniciados em setembro de 2017 em Salvador, por ocasião do V Enlaçando Sexualidades, propusemos este Simpósio Temático para dar continuidade às discussões, dialogar experiências de pesquisa e compartilhar procedimentos metodológicos mais ajustas a estas realidades. Pretendemos assim, acolher trabalhos pesquisadorxs que estejam preocupados em pensar a intersecção entre gênero, sexualidade e raça com a cultura e o espaço geográfico e o território em que está inserido. Alicerça nosso interesse e proposta o fato de as cidades brasileiras de Rio de Janeiro e São Paulo terem sido e ainda serem consideradas representativas da cultura brasileira, até mesmo em relação às representações do gênero, sexualidade, raça e suas intersecções como a mítica Madame Satã, por exemplo. O fato é que os referidos marcadores são dimensões que atravessam as diversas experiências sociais de variadas formas nos múltiplos contextos, ganhando assim expressões e justificativas quase tão diversas quanto à possibilidade de combinação entre eles e as territorialidades. Sendo assim, podemos entendê-los enquanto marcadores que produzem lugares, status, formas e valores que se aplicam nas relações sociais de maneiras específicas, e é esta especificidade e também as semelhanças entre contextos que nos interessam. E é tentando acompanhar e fomentar espaço de debate as práticas que este ST pretende acolher pesquisas que enfoquem suas análises em contextos erotizados diferenciados, tais como: ruralidades; cidades de pequeno porte; etnologia; religião e outros contextos específicos que não nos permitimos ainda pensar. Pretende-se criar um espaço de reflexão onde as dimensões contextuais, as re-interpretações, as re-significações e as percepções dos temas elencadas e suas intersecções sejam o eixo da discussão. Estudos de casos, diários de campo e todo tipo de reflexão que conjugue contexto de alteridade e ao menos dois marcadores sociais da diferença serão bem-vindos.
COORDENAÇÃO: Bruno Dos Santos Hammes, Kênia Gonçalves Costa

ST 22: Força-drible-ginga: ancestralidade e africanidades no esporte e pedagogias corporais na perspectiva interseccional de raça, gênero e sexualidades

Tendo o Esporte e a Educação Física mecanismos que influenciaram a racialização e sexualização, e, no Brasil, de um lado, uma história de proibição da capoeira, e de outro, a força da modalidade futebolística influenciada pela arte-ginga-drible-força, majoritariamente nos corpos negros, o objetivo é discutir sobre o esporte como resistência ao racismo, sexismo e exclusões, voltando-se aos saberes e ao corpo como memória ancestral e africanizado, e debater a ordem naturalizada que percebe o corpo e suas práticas estabelecidos pela racialização e sexualização. Através de diferentes perspectivas teóricas e interdisciplinares, sobretudo na perspectiva de gênero, pretendese dialogar com a área da Educação Física, pedagogias, filosofias e histórias afrobrasileiras e africanas, voltando-se para a multirreferencialidade na perspectiva cultural e esportiva, tanto profissional, escolar, quanto de lazer nas práticas comunitárias, que tem como centralidade o futebol. Recebemos trabalhos priorizando reflexões coletivas sobre o imaginário interseccional nas práticas esportivas e pedagogias corporais, através de intersecções de raça, gênero, classe e sexualidades em diálogo com teorias e relações afro-brasileiras e africanas. A proponente da temática com coautoria do prof. Dr, Felipe Fernandes, é mulher, negra, lésbica, pobre, de candomblé e nordestina, vivenciando na pele racismo, sexismo e exclusões no interior do esporte e para além. Tem vasta experiência no campo da Educação Física e do esporte; ex-atleta de futebol e ex-árbitra, com experiência de quase 20 anos, com passagem pela FBF e CBF. Doutoranda, pesquisadora de gênero e raça no esporte, com pesquisa desenvolvida sobre as árbitras de futebol, a divisão sexual do trabalho e tecnologias de gênero, e, em desenvolvimento focando a interseccionalidade no esporte, focalizando racismo e sexismo, teorizando com as relações raciais, feminismos e os estudos de gênero na África.
COORDENAÇÃO: Felipe Bruno Martins Fernandes, Ineildes Calheiro Dos Santos

ST 23: Gênero e sexualidade na literatura: subversões e resistências

O debate em torno de gênero e sexualidade tem cada vez mais estado presente em todos os âmbitos da sociedade gerando polêmicas, dissensões e violências em vários níveis como podemos observar na sociedade brasileira nos últimos anos. Partimos da compreensão de que ambos são fruto de um processo de construção social que, como tal, se transforma e atualiza cotidianamente o que se contrapõe à lógica essencialista, portanto, naturalizada, que tem caracterizado algumas análises. Os gêneros vão muito além do binário e as sexualidades são múltiplas - basta lançar um olhar ainda que breve à diversidade que nos cerca. Se as ciências sociais têm tomado estes dois campos de forma articulada e interseccionalizada produzindo análises que apontam para a multiplicidade, o que dizer da literatura? Como estes dois conceitos têm sido tematizados? Não sendo um mundo apartado da “vida real”, a literatura desde sempre produz e expõe em suas construções a temática da vida social (conforme argumentam pensadores como Erich Auerbach e Antônio Candido) e, desta forma, tem colocado em pauta estas questões e constituído uma grande vitrine da diferença à exemplo das sexualidades múltiplas, práticas não normativas, disparatadas, divergentes, identidades não essencializadas e dissidências de toda ordem. Interessa, portanto, a este simpósio temático trabalhos diversos no campo da literatura clássica e contemporânea que se enquadrem na lógica da subversão, entendida aqui como as práticas que se contrapõem à norma hegemônica, e provoquem fissuras, fendas que, por sua vez, constituem resistências diante de modelos impostos. Acolheremos propostas que nos ajudem a compor um quadro ampliado a partir de momentos históricos diversos, estilos literários diferenciados, enquadramentos outros reveladores de nuances pouco exploradas, olhares múltiplos que estabeleçam conexões as mais diversas e inusitadas e revelem a diferença em seus mais variados matizes.
COORDENAÇÃO: Patrícia Da Silva Santos, Telma Amaral Gonçalves

ST 24: Gênero, mídia e poder

Falar em mídia no século XXI leva-nos a compreender a presença paralela de vários meios como as TV’s, os rádios, os impressos e, de maneira cada vez mais crescente, o acesso à internet por meio dos mais diversos aparelhos, como computadores, tablets, smartphones, dentre outros. Dados do IBGE apontam a presença da TV em 95% dos domicílios brasileiros e 64,7% da população brasileira online. Diante disso, cabe ressaltar a importância do conteúdo midiático na formação de opinião, exercendo, não raro, caráter pedagógico, formação de hábitos e pautando as discussões do dia a dia das pessoas. Porém, as/os receptoras das informações miditáticas estão cada vez menos sujeitas/os a apenas uma fonte de informações, de maneira que podem, crescentemente, exercer autonomia com relação aos conteúdos que acessam e, com o advento da interatividade, direcionar seus acessos, o que gera uma diversificação dos discursos. Diante disso, o presente ST pretende discutir a construção de discursos, colocados em evidência no espaço midiático, sobre gênero, sexualidade, identidade e poder, considerando as interseccionalidades dessas representações simbólicas.
COORDENAÇÃO: Eden Erick Hilario Tenorio De Lima, Flavio Santos Da Silva

ST 25:Gênero, raça, sexualidades, juventudes e escola: por conhecimentos e interseções

Após a acirrada crítica e desautorização do Patriarcado como modo de organização do mundo promovida pelo Feminismo (entendido aqui como movimento social, mas, sobretudo como Escola de Pensamento (BEAUVOIR, 1949), tem-se como premissa a necessidade de um novo paradigma a ser construído acerca do debate sobre sexualidades transgressivas de encargos regulatórios como homoafetividade e trânsitos Queer, especialmente tendo o recorte a juventude, questões étnicas/raciais e dispositivos formais como escola. A presente proposta tem como horizonte temático a reunião de obras como ensaios, pesquisas e estudos que discutem as referência se abordagens reflexivas complexas (MORIN, 2005). Busca-se discutir a tríade a partir da compreensão de que @s seres human@s produzem, suas subjetividades, singularidades, masculinidades e feminilidades, seja através de enlaçamentos e interseções com seus pares, como também com tod@s @s outr@s que estão inserid@s em seus contextos culturais, sociais, históricos e políticos, seja através de discursos formadores de identidades/identificações de gênero (LAURETIS,1994) No entanto, ofensivas de parlamentares juntamente com seguimentos conversadores em nome da religião são contra o debate acerca das questões de gênero e das sexualidades plurais no contexto da escola. O retrocesso em relação ao Plano Nacional de Educação - PNE, sugere que de fato mesmo @s conservador@s reconhecem e temem que tais discussões são fundamentais no fomento ao pensamento crítico que reverbera a (des) construção de preconceitos e estigmas constituídos na escola. A urgência de uma educação anti-machista, anti-LGBTTIQfóbica e antirracista na educação se impõe e vem sendo defendida por diversos pesquisador@s, considerando as violências que as práticas de ódio vêm causando em crianças, adolescentes e jovens. O enlace proposto parte-se do entendimento e urgência na educação do enfoque nos estudos sobre as questões de gênero, ressaltando as singularidades inclusive das identidades não heteronormativas, das relações raciais e as hierarquias estigmatizantes. Diante disso, pensa-se em trabalhos relacionados com as tensões e negociações que auxiliem na melhor compreensão da complexidade e arte de (con) viver no cotidiano escolar, ampliando leituras de mundo de tod@s que nela estão inserid@s, numa perspectiva emancipatória de práticas e pedagogias. Busca-se debater a formação de subjetividades, produção e/ou ausência de práticas/ideário que colaboram com violências e as estratégias juvenis em tais embates e seus questionamentos acerca de gêneros, sexualidades e as questões raciais.
COORDENAÇÃO: Adriana Maria De Abreu Barbosa, Karine Nascimento Silva

ST 26: Gênero, sexualidade e educação: pesquisa e ensino

O Simpósio Temático pretende reunir pesquisadores que articulam reflexões sobre gênero e sexualidade a partir das práticas de ensino nos espaços educativos escolares e não escolares. De igual modo, objetiva congregar pesquisadores que fazem uso dessas categorias nas várias áreas de conhecimento, conectadas nas licenciaturas, a exemplo da pedagogia, antropologia, ciências sociais, geografia, história, artes, literatura e demais áreas afins. Além disso, esse espaço de reflexão receberá militantes sociais que atuam na luta contra os processos de exclusão de LGBT’s, violência de gênero e sexualidades. Com o intento de possibilitar a troca de experiências tocantes às pesquisas e práticas de ensino que entrelaçam os gêneros e as sexualidades como conceitos e objetos, o Simpósio receberá estudos sobre as políticas de formação docente em sua amplitude, bem como reflexões sobre práticas e trajetórias de sujeitos (individuais e coletivos), processos formativos e experiências de militantes. De caráter transdisciplinar, o ST dialogará com pesquisas e relatos de experiências.
COORDENAÇÃO: Cícero Joaquim Dos Santos, Zuleide Fernandes De Queiroz

ST 27: Gênero, sexualidades e cotidiano (não) escolar: disputas, atravessamentos e práticas

Para melhor compreender o que a escola tem produzido, a partir do silenciamento, do apagamento e da ocultação de diversas temáticas em seu cotidiano e em seu currículo, é preciso perceber as motivações desses ocultamentos, as disputas que se instalam no epicentro contemporâneo e das interdições/atravessamentos pelas quais se submetem, principalmente, conhecimentos que envolvem os eixos relativos às diversas manifestações de sexualidades, às questões de gênero e aos preconceitos instalados e reforçados nas práticas pedagógicas no cotidiano de nossas escolas e salas de aulas. No entanto, não só o cotidiano escolar produz tais discursos e realidades, outros espaçotempos não-escolares, mas educativos, também se enfronham neste contexto. A proposta deste simpósio inscreve-se na necessidade de compreendermos como a escola e outros espaços, por meio de seus processos pedagógicos cotidianos, têm se constituído como espaçostempos de enfrentamento das ofensivas conservadoras, desenvolvendo posturas críticas, reflexivas e formativas a partir de um enfoque do respeito às diferenças, à diversidade sexual e relações de gênero. Congrega, portanto, pesquisas que focalizem a formação de professores, professoras em todas as suas configurações de masculinidades, feminilidades, transmasculinidades e transfeminilidades; que coloquem as práticas pedagógicas em todos os espaçostempos educativos escolares e não-escolares como foco de construção de conhecimentos outros que nos municiem para o enfrentamento. Além disso, nossa proposta assume, também, o enlaçamento/acolhimento de, sem qualquer tipo de presunção, pesquisas que apontem para possibilidades de queerificar o currículo a partir do conceito de currículopraticado. Neste sentido, buscamos dar visibilidade a pesquisas que demonstrem, também, como seguir nas brechas, nas fissuras que podem permitir rupturas na estrutura heteronormativa em prol da queerificação das práticas pedagógicas em escolas e espaços educativos naõ-escolares.
COORDENAÇÃO: Denize De Aguiar Xavier Sepulveda, Ivanildo Amaro De Araújo

ST 28: Gêneros e sexualidades dissidentes na escola: trans-mitindo outras aprendizagens

Esse simpósio temático pretende ser o lugar para se discutir pedagogias dissidentes, novas formas didáticas e pedagógicas na educação básica e no ensino superior. Refletir sobre novas maneiras de construir o currículo, trazendo à tona discussões sobre as abjeções e dissidências no espaço escolar. Discutir as formações de alunes e professores dentro e fora das instituições. Verificar outras formas de atuação pedagógica: ocupações, redes sociais, coletivos, espaços alternativos, cursos preparatórios etc. Pensar as pedagogias dentro e fora da escola. Relatos de experiências, pesquisas acadêmicas em curso ou concluídas, experiências didáticas com formatos diferenciados e reflexões formalizadas em torno do assunto proposto serão aceitos neste Simpósio Temático. Incentivamos trabalhos com perspectiva interseccional e/ou descolonial.
COORDENAÇÃO: Anna Marina Barbará Pinheiro, Sergio Luiz Baptista Da Silva

ST 29: Gêneros: transgressões, enquadramentos e violências

O presente Simpósio Temático tem como objetivo congregar pesquisas que explorem caminhos em que as construções de gênero e sexualidades são acionadas como instrumento de desqualificação de sujeitos sociais que são submetidos a inúmeros processos de violência e segregação decorrentes da homofobia, transfobia, lesbofobia e bifobia. Considerando as imposições históricas e socialmente estabelecidas de papéis heteronormativos a serem assumidos por sujeitos tidos como homens ou mulheres, importa-nos compreender como esses sujeitos cujo comportamento é considerado como transgressor do ordenamento dito natural, são classificados, enquadrados e violentados em diferentes contextos sociais, políticos, culturais, educacionais e históricos. Quais os modelos de conjugalidades esses sujeitos vivenciam? Que estratégias são tecidas, articuladas e inventadas para estabelecer vidas possíveis frente a esses inúmeros processos de normalização? Assim, abrimos espaço para compreender as particularidades dos processos de violência a que são submetidas travestis e transexuais, gays e lésbicas, bem como mulheres heterossexuais e homens que não se enquadram na reprodução do modelo de masculinidade considerada socialmente hegemônica; considerando, ainda, na construção desses sujeitos as especificidades de raça/etnia e classe, dialogamos com os atuais debates propiciados pela abordagem interseccional. Esse espaço de diálogo, trocas e provações entre pesquisadoras e pesquisadores, militantes e acadêmicos, tem o propósito de oxigenar nossas práticas de pesquisa e reflexões.
COORDENAÇÃO: Fabio Pessanha Bila, Rafael França Gonçalves Dos Santos

ST 30: Histórias, memórias e narrações das mobilizações políticoculturais e movimentos sociais LGBTQI

O direito à memória é sinônimo de garantia de existência, resistência e conquista da cidadania para inúmeros coletivos de sujeitos que historicamente foram alijados dos espaços políticos no Brasil. Este quadro, se por um lado, nos denuncia a frágil democracia brasileira, de outro, evidencia as mobilizações político-culturais e as atuações de movimentos sociais implicados na defesa da democracia. Com estas discussões reafirma-se o respeito as mobilizações político-culturais e aos movimentos que hoje, no Brasil, estão em plena luta em nome de sua verdade e justiça a partir da memória e reconhecimento político de suas histórias, memórias e narrações, a exemplo dos movimentos sociais e mobilizações lideradas pela população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais nos partidos políticos, ONG’s, manifestações culturais populares, etc. Considerando o cenário descrito, o Simpósio Temático consiste em reunir trabalhos de ativistas, acadêmicos e acadêmicoativistas que voltam-se a analisar (e produzir), considerando as pluralidades teóricometodológicas, a história das mobilizações e ações político-subjetivas protagonizadas pelas populações de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais no Brasil no século XX e XXI.
COORDENAÇÃO: Marlon Silveira Da Silva, Marcio Rodrigo Vale Caetano

ST 31: Homoafetividades e negritude nas literaturas de língua portuguesa

Este Simpósio pretende ser um espaço para a discussão e reflexão acerca das homoafetividades e negritude nas literaturas de língua portuguesa. Nesta perspectiva, abre-se espaço para a apresentação de investigações que identidades homoafetivas contidas nas narrativas produzidas e publicadas no Brasil, Angola, Moçambique, Portugal e outros territórios os quais ajudam na formação do mundo da lusofonia. Desse modo, compreende-se que Stella Manhattan (1985), de Silviano Santiago, “A Seiva da Vida” (1998), de Éle Semog, “Minha flor, minha paixão”, “Olhos verdes de esmeralda” (2011), de Miriam Alves, “Os amores de Kimbá" e “Isaltina Campos Belo”, de Conceição Evaristo e O Cafuçu (2012), de Marcos Soares servem como referenciais para iniciar a discussão proposta, além de outros autores e obras não nominados. Para isso, convém perceber os mecanismos usados pelos autores na construção das identidades do sujeito homoafetivo negro (masculino e feminino) nas obras já mencionadas e em obras das correntes estéticas anteriores a partir da produção de saberes da historiografia social e da literatura homoafetiva. A valorização dada aos sujeitos que se identificam como homoafetivos e negros sofreram transformações de ordem histórica e social, puderam sair da imposição do esquecimento e condenação, da condição de escravizados ao reconhecimento dessas identidades sociais e assim, repercutir o ideal artístico, mesmo que não reconhecido pelo cânone. Então, esse Simpósio tem o papel de contribuir para que o preconceito e as distorções feitas à cultura das minorias étnicas, de gênero e sexualidades possam ser fragmentados, pois as diversas identidades e culturas necessitam ser respeitadas no contexto de abrangência da diversidade.
COORDENAÇÃO: Rubenil Da Silva Oliveira, Luciano Ferreira Da Silva

ST 32: Identidades de gênero, dissidências sexuais, língua(gem) e discurso: olhares que se entrecruzam na contemporaneidade

Este Simpósio Temático tem como objetivo congregar trabalhos que se localizam nos diversos campos de estudos sobre identidades de gênero e de sexo, os quais problematizem questões de linguagem frente ao escopo das dissidências dessas categorias, em diferentes âmbitos da sociedade. Sob esse viés, serão hospedadas neste ST reflexões que queiram se deslocar na transdisciplinaridade, no intuito de desestabilizar os saberes instituídos, trazendo às discussões, diferentes olhares acerca das questões identitárias e dos estudos de gênero na contemporaneidade, nos espaços sociais e escolares. Partindo da concepção de que a linguagem constrói sentidos sobre o que somos e o que podemos ser e, assim, nos constitui como sujeitos que circulam em diferentes realidades no mundo social, chega-se à compreensão de que os discursos podem oferecer um lugar de privilégio para alguns e fomentar a exclusão social para outros, na medida em que as pessoas consideradas fora das normas são tidas como anormais, desviantes, estranhas e abjetas. Dessa forma, os estudos e as produções que pensam os lugares das dissidências sob o ponto de vista linguístico-discursivo e as suas novas (re)configurações nas práticas sociais, têm muito a contribuir neste Simpósio Temático, uma vez que é por meio da linguagem como prática social que damos sentido ao que nos rodeia, podendo desnaturalizar e desnormatizar o que está posto como “natural” e “normal”.
COORDENAÇÃO: Clodoaldo Ferreira Fernandes Da Silva, Ariovaldo Lopes Pereira

ST 33: Interseccionalidades de gênero, sexualidade e raça-origem étnica: diferenças e desigualdades

O Simpósio Temático INTERSECCIONALIDADES DE GÊNERO, SEXUALIDADE E RAÇA-ORIGEM ÉTNICA: DIFERENÇAS E DESIGUALDADES tem como objetivo agregar pesquisas e relatos de experiência que se concentram nas análises interseccionais de combate à discriminação étnico-racial, orientação sexual e de gênero, em um cenário marcado por movimentos diaspóricos, em particular da população negra e fluxos migratórios, enfocando as desigualdades e diferenças dessas abordagens e perspectivas face ao conservadorismo emergente nos últimos tempos, bem como os projetos societários em disputa travados pelos setores políticos envolvidos nos processos emancipatórios no âmbito dos direitos humanos. Estamos particularmente interessados nos processos que envolvem os sujeitos, seus marcadores de diferença, que se cruzam, articulando o racismo, o machismo, o sexismo, a LGBTfobia e a xenofobia e suas relações de organizações, movimentos e lutas sociais por cidadania. Salienta-se que ao longo das últimas décadas do século XX e começo do XXI, os Estados nacionais foram desafiados por movimentos sociais e diversas organizações da sociedade civil para incorporar a perspectiva dos direitos de negros, indígenas, mulheres e LGBT, pressionados por uma ordem transnacional no campo dos direitos humanos. Subalternos, desumanizados e abjetos, esses não sujeitos se insurgiram, organizados e críticos, reivindicando reconhecimento, garantia de direitos e proteção ao Estado, que, patriarcal, racista e LGBT-fóbico, não raramente, ou os matam ou os deixam viver, em vidas precárias, muitos em contextos políticos e sociais vulneráveis, portanto, este contexto gera mudanças interessantes e revela desafios importantes tanto por parte da sociedade civil organizada em suas formas de resistências e lutas, como por parte da governamentalidade da vida.
COORDENAÇÃO: Marlene Teixeira Rodrigues, Magali Da Silva Almeida

ST 34: Interseções da diferença no movimento estudantil do Brasil contemporâneo

A partir de 2015, multiplicam-se ocupações de instituições de ensino, em diversos estados do país, conferindo novo vigor e novos contornos à organização política estudantil contemporânea. Em resistência aos ataques à Educação, que caracterizam as políticas estaduais e federal de reestruturação do ensino neste período, inicia-se um processo de fortalecimento do ativismo estudantil, em grêmios, coletivos, grupos, redes e associações. Nessas manifestações recentes, o enfrentamento às diversas formas de opressão, de que são alvo as pessoas jovens no Brasil, vem ocupando lugar de destaque, em inovador reconhecimento dos múltiplos atravessamentos que perpassam a identificação estudantil. Desse modo, demandas feministas e lutas lgbt configuram marcas recorrentes nas pautas do movimento, frequentemente articuladas com questões de raça e classe, entre outros marcadores da diferença e da desigualdade. Para este simpósio, convidamos pessoas/grupos de pesquisa/coletivos políticos que queiram partilhar reflexões teóricas e/ou relatos de pesquisa acadêmica e/ou de ativismo político, no âmbito das recentes experiências de organização estudantil, tais como as ocupações de escolas, institutos federais e universidades, com foco na interseção de tais demandas e identificações, para debater sobre: como as diferentes formas de opressão afetam as pessoas jovens no Brasil contemporâneo? Como são transformadas em demandas do ativismo estudantil? Que efeitos as experiências ativistas de pessoas jovens exercem sobre o espaço escolar? Que deslocamentos identitários são produzidos? Que mudanças ocorrem nas formas de participação política da juventude? Como o reconhecimento de múltiplas marcas identitárias, como gênero, raça, orientação sexual, entre outras, afetam a identificação da juventude, na escola, na academia e na sociedade em geral? Que abordagens teóricas têm sido desenvolvidas para a problematização desse quadro?
COORDENAÇÃO: Miriam Soares Leite, Valéria Lopes Peçanha

ST 35: Margens, vulnerabilidades e resistências nos gêneros e sexualidades dissidentes

Este GT aborda como as vulnerabilidades relativas às questões de gênero e sexualidade cruzam-se com territorialidades e outros marcadores sociais no contexto das sociedades contemporâneas, com foco na vida brasileira. Interessa-nos discutir as expressões de assimetrias e apartações produzidas pelo Estado com seu racismo biológico (FOUCAULT, 2002), necropolítica queer (Haritaworn, Kuntsman e Posocco, 2014) e homonacionalismo (PUAR, 2007). Além disso, pretendemos debater como se dão as estratégias de resistências e produção de subjetividades daqueles corpos dissidentes que lutam por acesso a uma vida vivível, nos termos de Butler (2015) nos contextos das margens urbanas. Para tanto, buscamos problematizar, por um lado, as atuais expressões das precariedades socialmente induzidas (BUTLER, 2015), o adensamento das vulnerabilidades socioeconômicas e civis (KOWARICK, 2010), dos riscos sociais, do racismo de Estado na produção de vidas nuas (AGANBEM, 1997). E, por outro lado, discutimos a ocupação de espaços públicos e privados reivindicando acesso à cidadania e políticas públicas, vem como a produção de modos de vida não hegemônicos relativos aos corpos da população LGBTT em suas versões “bicha”, lésbicas, transexuais, travestis, queers, interseccionalizados com as relações étnico-raciais, de classe, pertencimentos socioterritoriais.
COORDENAÇÃO: Leila Maria Passos De Souza Bezerra, Francisco Alexandre Nunes De Sousa

ST 36: Masculinidades em (des)construções: perspectivas sincrônica e diacrônica

Este ST congrega trabalhos resultantes de pesquisas acadêmicas e/ou de experiências de ativistas de movimentos sociais na área de gênero e demais áreas representativas destes movimentos, em andamento ou concluídas, a respeito das masculinidades e suas (des)construções, sincrônica e diacronicamente, considerando as contribuições de Connell e Masserschmidt (2013) a respeito do conceito de “masculinidade hegemônica” e de Pelúcio (2016) a respeito de “masculinidades contemporâneas. Serão aceitas propostas de comunicação oral, em perspectiva mais ampla possível, pois, como afirmou Connell “A pesquisa sobre masculinidade atualmente é mundial, oferecendo-nos ricas bases para o entendimento desse tema em arenas globais” (2013), sobre temas que investiguem as masculinidades, assim mesmas compreendidas no plural, porém no âmbito da individualidade e das instituições, podendo correlacionar-se à interseccionalidade, segundo Crenshaw (2001, 2002, 2016), portanto às questões de raça, e à consubstancialidade, segundo Kergoat (2010) e Hirata (2014), portanto considerando classe, e outras categorias como sexo, gênero na perspectiva pós-estruturalista, identidade de gênero, transmasculinidade conforme Ávila (2014), trabalho, idade, corpo e suas diversas modificações, abjeções, contestações ao binarismo, políticas de saúde, cotidiano, cidade e espaço de práticas sexuais como as etnografadas por Braz (2010, 2012), representações nas artes, na cultura e nas relações sociais, e tecnologias de mídia, da sociedade em rede (CASTELLS, 2011), especialmente com o advento da internet e o uso de redes sociais e aplicativos, como o apresentaram Pelúcio já referenciada, Gadelha ao tratar da performatividade de gênero e sexualidade on line entre homens gays (2015) e ainda Miskolci (2009, 2011, 2013, 2014, 2016) e Zago (2015). Aceitam-se também comunicações orais sobre temas como "masculinidade positiva", "cultura ursina (bear)" e demais contextos ligados às masculinidades.
COORDENAÇÃO: Carlos Eduardo Bezerra, Kaio Souza Lemos

ST 37: Movimentos sociais, crise e resistências ao neoconservadorismo

O presente simpósio temático busca reunir trabalhos que reflitam sobre as várias dimensões dos movimentos sociais e outras formas de ativismos de dissidência sexual e de gênero. Vivemos em um momento peculiar em que passamos por uma série de transformações sociais agudas, tais como: o crescimento e a consolidação do neoconservadorismo na sociedade; o desencantamento progressivo com a política; uma ruptura democrática e o fechamento dos canais institucionais de diálogo entre Estado e sociedade civil; o desmonte das políticas sociais, dentre outras. Esse contexto obriga ativistas e pesquisadoras(es) a repensar sua forma de compreender e agir no mundo para promover a mudança pretendida. Buscamos, assim, trabalhos que se perguntem sobre: as possíveis articulações interseccionais entre diferentes movimentos sociais; os conflitos internos a cada movimento; as variadas formas de ação, como o lobby, os protestos, o ciberativismo, as políticas do escracho, o artivismo; as diversas formas de redes e organização; suas histórias e trajetórias de luta; dentre outros aspectos. São especialmente estimuladas as submissões de trabalhos comparativos e/ou que abordem casos fora do eixo sudeste.
COORDENAÇÃO: Mario Felipe De Lima Carvalho, Thiago Coacci

ST 38: Performances de fé: diálogos e embates entre religião, corpos e subjetividades “dissidentes”

Os diálogos que envolvem as questões pertinentes ao corpo, aos gêneros e às sexualidades ainda se mostram um desafio às religiões, sejam aquelas socialmente hegemônicas (como o catolicismo e o protestantismo) ou as religiões socialmente subalternizadas (umbanda, candomblé, etc), bem como aquelas que estão entre estes dois eixos hierárquicos de fé (budismo, espiritismo, etc). Isto ocorre porque, apesar de ser um campo de busca pela plenitude, as religiões também são espaços de disputas simbólicas ou não as quais se baseiam, dentre outras, na normatização dos corpos a dogmas que geralmente encontram sua matriz nas convenções sociais e na heteronormatividade. Esta disputa inclui as dimensões da subjetividade dos fieis, implicadas em complexas construções. Por exemplo,conflitos internos e externos (que podem se materializar em sentimentos negativos de si ou nas interações sociais, com o desligamento do espaço institucional). Tudo isso sinaliza para impasses decorrentes doembate entre “ser o que se é” e “ser aquilo que a religião quer que eu seja”). Na contramão desta disputa, os fieis também produzem suas próprias formas de se perceber, no campo religioso, reconfigurando os dogmas ao adaptá-los/reconfigurá-los/subvertê-los/desconstruí-los, nos seus modos operantes de vida. Assim, a partir de uma perspectiva interdisciplinar e apoiados nas teses de Austin, Berger, Giddens, Butler, Certeau, Natividade, Le Breton, Turner, Goffman e Birman, dentre outrxs autorxs, pretendemos realçar as dimensões da religião como performatividade. O objetivo é reunir pesquisadores e pesquisadoras cujos trabalhos e reflexões apresentem a religião como um campo sociocultural passível de reconfigurações múltiplas no qual resiliências e subversões, táticas e estratégicas constroem “performances de fé”. O ST tem ainda por objetivo visibilizar as várias formas através das quais estas performances de fé dialogam com outros marcadores sociais da diferença para além do ethos religioso (raça, classe, idade, etc) e então chegam aos corpos e às subjetividades dos fieis, construindo e desconstruindo suas formas de ser e estar no universo religioso e na esfera considerada secular Por fim, queremos, a partir da apresentação dos trabalhos, colocar em perspectiva as relações entre religiões, corpos e subjetividades a partir de uma visão da diversidade religiosa, abarcando reflexões sobre tradições e instituições em uma perspectiva plural, mas especialmente, sobre aquelas experiências compreendidas sob a alcunha das dissidências religiosas ou dos contradiscursos.
COORDENAÇÃO: Marcelo Tavares Natividade, Júnior Ratts

ST 39: Performatividades de gênero na sociedade digital

O ST propõe a discussão de pesquisas que envolvam as diferentes formas que a inteligibilidade dos corpos é negociada/articulada, reconhecida/sustentada, estigmatizada ou abjetada no interior das sociabilidades digitais. Na era da conectividade, as relações sociais se constroem através de mídias digitais numa espécie de contínuo articulado e interdependente “on/off-line” (MISKOLCI, 2016). O objetivo central é socializar investigações sociais que pretendem compreender as performatividades de gênero (BUTLER, 2016) e suas intersecções – sexualidade, raça, etnia, classe social, geração e estética “fitness – no mundo social mediado por tecnologias. A proposta visa constituir um espaço de reflexões teórico-metodológicas, conceituais e ativistas que permitam um desvendar dos processos sociais generificados da contemporaneidade interconectada. Performances de gênero e de sexualidade digitais, busca racionalizada por parceir@s amoro@as e/ou sexuais no “online”, políticas de visibilidade e reconhecimento nas redes sociais e sites de relacionamento e as interseccionalidades na constituição de corpos (in) inteligíveis constituem os eixos sugeridos de discussão do simpósio temático. Em suma, o ST pretende discutir interseccionalmente as materializações conectadas de corpos generificados para além do binarismo - normatividades sociais x potencialidades plurais de subversão e resistência.
COORDENAÇÃO: Fabrício De Sousa Sampaio

ST 40: Políticas públicas, diversidade sexual e de gênero e raça-etnia no sul-sul

O Simpósio Temático POLÍTICAS PÚBLICAS, DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÊNERO E RAÇA-ETNIA NO SUL-SUL propõe-se a abordar as diferentes dimensões das políticas públicas, como a formulação, gestão, financiamento e monitoramento, bem como a implementação e avaliação dessas políticas, tomando como referência o público-alvo - os sujeitos que são objeto das políticas, como mulheres, LGBT, negr@s, refugiad@s, imigrantes e outras expressões étnico-raciais, tomando como contraponto as análises e perspectivas desses temas, suas críticas e resistências. A proposta do Simpósio Temático consiste em, a partir de pesquisas realizadas em diferentes contextos nacionais do Sul-Sul, apresentar, debater, analisar e discutir as tendências e respostas dos respectivos governos no campo das políticas públicas orientadas para as questões de gênero, raça/etnia, orientação sexual e expressões de gênero, bem como de ativistas, a partir dos diferentes marcos legais relativos à essas políticas públicas, bem como documentos e instituições que estruturam tais políticas e seus respectivos públicos-alvo na perspectiva da proteção social e as diferentes produções críticas teórico-metodológicas e epistemológicas sobre essas questões em disputa nas esferas públicas do Sul-Sul. Para tanto, é tomado como referência as lutas contra as discriminações étnico-racial, orientação sexual e de gênero bem como suas expressões nas políticas públicas, como as respostas e demandas tanto dos movimentos sociais no campo do gênero, da diversidade sexual e da raça/etnia diante dessas políticas, programas e projetos governamentais, quanto sobre as respostas dos Estados Nacionais sobre as experiências de formulação, monitoramento e avaliação das políticas públicas para lidar com essas questões.
COORDENAÇÃO: Bruna Andrade Irineu, Marco José De Oliveira Duarte

ST 41: Por uma nova história do gênero e da sexualidade

O Simpósio Temático se coaduna ao tema geral do evento, procurando construir, coletivamente, um espaço para debater a diversidade sexual e o gênero articulações com as identidades raciais e com o racismo assim como os condicionantes geracionais. Propomos um simpósio em que as novas e diferentes interpelações epistemológicas, teórico-conceituais, metodológicas e políticas aportadas pelos estudos queer sejam confrontadas com a necessária rigorosidade da historiografia, afugentando, assim, alguns fantasmas que ainda habitam os domínios de Clio e impedem o florescimento de novas interpretações. O ST pretende acolher trabalhos historiográficos e/ou com viés histórico (sociológicos, antropológicos, da ciência política, dentre outros) que desenvolvam investigações críticas sobre identidades de gênero, as diversidades sexuais e de raça, particularmente a partir de perspectivas que problematizem processos de naturalização e normatização ao longo da História. Neste sentido, almejamos reunir as experiências de pesquisa que incorporem o uso do conceito de gênero, como formulado por Joan Scott, assim como acolher investigações inovadoras que dialoguem com a problematização deste conceito, como concebida por Judith Butler (2003), ao utilizarem conceitos como performatividade do gênero, ou análises que se enveredem por uma História da Sexualidade a partir da analítica foucaultiana da relação entre corpo - sexualidade – poder - raça. Esperamos que os trabalhos apresentados busquem distender os limites explicativos estabelecidos pelo discurso historiográfico tradicional, trazendo à tona uma história sobre a transgressão das práticas sexuais heteronormativas, fundamentais para a compreensão da estruturação das desigualdades sociais (classe e raça), permitindo assim a construção de uma historiografia que critique racismo, o androcentrismo, o machismo e o heteroxismo ainda presentes em narrativas sobre o passado em diversos períodos de tempo. Deste modo, acolheremos trabalhos teóricos e/ou empíricos que contribuam para a crítica e contestações de naturalizações observadas nas diversas experiências sociais em períodos históricos diversos, assumindo a interseccionalidades de gênero, raça, sexualidade, corporalidade, como construções discursivas, históricas e performativas.
COORDENAÇÃO: Luiz Alberto Silva Lima, Maria Aparecida Prazeres Sanches

ST 42: Possibilidades de subversão de gêneros e sexualidades no direito

O presente simpósio temático busca discutir práticas que tenham como objetivo subverter as normas fundadas no binarismo de gênero e na heteronormatividade, ressignificando regras jurídicas ou trazendo novas formas de interpretação sobre gêneros e sexualidades no Direito, entendidas como: as discussões trazidas por inovações jurisprudenciais, as boas práticas extrajudiciais e mesmo não jurídicas desenvolvidas, no âmbito dos movimentos e ativismos sociais, das organizações civis, das corporações ou das instituições públicas. O direito, instância formal de regulação das relações sociais, cria as “formas possíveis de vida”, ao disciplinar regras referentes a personalidade, registro, nome, casamento, previdência, dentre outras e o faz, no que tange à abordagem de questões referentes a gêneros e sexualidades dentro de uma matriz cisgênera e heterossexual, assentada numa exigência de correspondência linear entre sexo/gênero/desejo e excluindo ou deslocando as pessoas que não se conformam a matriz e definindo tratamentos diferenciados a elas. Dois problemas centrais se apresentam: 1. O Direito utiliza o conceito binário de gênero e a heteronormatividade para determinar as normas a serem aplicadas/criadas, ou seja, institucionaliza o tratamento diferenciado; 2. Aquelas que se identificam e vivenciam seu gênero e/ou sexualidade fora da matriz ficam em situações de incerteza e insegurança com relação aos seus direitos ou ao tratamento que receberão das instituições formais. Buscamos, assim trabalhos que pensem as práticas para desconstrução das normas jurídicas ou formais, criando novas interpretações ou argumentos que contemplem as multiplicidades e que possam ir além das definições hegemônicas de gêneros e sexualidades, articulando ainda essas categorias com aquelas de classe e raça e reunindo trabalhos acadêmicos e não acadêmicos, de todas as áreas, que tragam experiências ou propostas teóricas que contribuam para essa subversão de gêneros e sexualidades no e do Direito.
COORDENAÇÃO: Camilla Magalhães Gomes, Vanessa Alves Vieira

ST 43: Processos de produção, manutenção e modificação de masculinidades e feminilidades nos territórios escolares com atenção aos marcadores sociais de gênero, sexualidade, geração, raça, etnia e classe

A produção de masculinidades e feminilidades se dá em diálogo e tensão com marcadores sociais: pertencimento religioso; relações de gênero socialmente validadas ou em discordância com a norma; orientação sexual e possibilidades de sua expressão social ou não; geração; pertencimento regional; conformação familiar; ambiente urbano ou rural; atributos corporais e deficiências; inserção de classe e na órbita do consumo; progressão na trajetória escolar; colocação no mercado de trabalho; pertencimento a redes de sociabilidade; doenças e agravos de saúde; raça, etnia e cor da pele; existência ou não de políticas públicas de proteção social. A escola representa uma importante instituição de sociabilidade, e com o avanço dos processos de escolarização a partir da Constituição Federal de 1988 não há mais como viver a condição juvenil e mesmo de adulto jovem sem ser em estreita relação com a cultura escolar. O Brasil experimentou em seu período democrático pós final da ditadura uma inclusão universal de jovens no sistema de ensino fundamental, com reflexos importantes no ensino médio e no ensino técnico, e já visíveis manifestações no ensino superior, via sistemas de cotas e outras modalidades de inclusão. Nosso ST acolhe trabalhos que abordem a produção de masculinidades e feminilidades com especial atenção aos marcadores acima enumerados, no território escolar e em diálogo com a cultura escolar. Temas como diversidade de gênero, sexual e étnico racial nas culturas juvenis; formação docente e as questões de raça, gênero e sexualidade; análise de políticas públicas que versam sobre estes marcadores sociais na cultura escolar; situações de sexismo, racismo, homofobia e violência de gênero nas escolas; etnografia de trajetórias escolares; análises de intervenções sobre diversidade de gênero, sexual e étnico-racial no espaço escolar. Apostamos no diálogo entre marcadores sociais e sempre que possível no uso das possibilidades analíticas do conceito de interseccionalidade
COORDENAÇÃO: Fernando Seffner, Marcos Lopes De Souza

ST 44: Raça, gênero e sexualidade: desafios interseccionais

As perspectivas interseccionais têm oferecido importantes referenciais conceituais e metodológicos para os estudos de gênero, sexualidade e raça. Este Simpósio Temático pretende reunir trabalhos que discutam, seja em estudos teóricos, seja em pesquisas de campo, articulações entre marcadores sociais da diferença (com ênfase em gênero, sexualidade e raça) em perspectivas críticas, em diferentes domínios de saberes: psicologia, antropologia, sociologia, estudos de gênero e sexualidade, estudos feministas, feminismos negros, dentre outros campos. Serão selecionados trabalhos que proponham análises interseccionais sobre: a produção sócio-histórica dos marcadores sociais da diferença; relações de opressão e privilégios de gênero, sexualidade e raça; revisões teóricas e propostas conceituais que aprofundem os debates que têm sido feitos no campo dos feminismos interseccionais; metodologias inovadoras para pesquisas interseccionais, incluindo reflexões sobre a interface entre pesquisa e movimentos sociais. Os trabalhos devem ser produzidos a partir do referencial teórico dos feminismos interseccionais, em diálogo com outros campos de saber.
COORDENAÇÃO: Amana Rocha Mattos, Maria De Fatima Lima Santos

ST 45: Raça, gêneros e sexualidades em movimentos religiosos contemporâneos

Na contemporaneidade, observa-se a intensificação dos debates em torno da diversidade sexual, pluralismo religioso, raça e classes sociais, que reflete um intenso processo de transformações da subjetividade, luta por reconhecimento, quebra do monopólio católico, atuação política do movimento feminista e homossexual permeados por outros debates que muitas das vezes se tornam secundários, a exemplo das questões de raça e classe social; O Simpósio Temático tem por objetivo a promoção de diálogo para acolher estudos interdisciplinares que tratem dessas questões nos movimentos religiosos contemporâneos. Queremos que este debate traga ao cenário diferentes contribuições sobre a percepção do gênero e raça em uma dimensão mais ampla por isso a relação entre Gênero, Religião e Raça. Pretendemos destacar a importância de visões críticas para pôr em cheque os prejuízos trazidos no âmbito de concepções tradicionais, que acabam por reforçar práticas da intolerância religiosa frente à compreensão do gênero na atualidade. O grupo fica aberto para a participação de estudiosos e membros de movimentos afins, que queiram trazer seus estudos teóricos e experiências práticas, individuais ou de grupos. Nossa proposta surge de amplo debate feito por nosso Grupo de Pesquisa Gênero, Religião, Ruralidades e Movimentos Sociais- GRRUMS, pertencente ao Centro de Humanidades da Universidade Federal de Campina Grande.
COORDENAÇÃO: Francisco Jomário Pereira, Maria Da Conceição Mariano Cardoso Van Oosterhout

ST 46: Redes e ruas: movimentos sociais e mobilizações em tempos conservadores

Temos vivido um momento global de ampliação de discursos conservadores que disputam a noção de direitos humanos, e outros temas vinculados a ela, no sentido de ganhar espaço na arena política, ampla, dispersa, complexa e ruidosa. Os exemplos do fechamento de exposições e performances artísticas e a pressão contra a inclusão do termo “gênero” em planos de educação são alguns exemplos que circulam entre o local e o global e têm conseguido efeito político prático. Estamos envoltos, portanto, numa dualidade sintomática: um “grupo” conservador e um “grupo” progressista no que tange às questões de direitos humanos, em especial nos temas de gênero e sexualidade, mas também nas tentativas de deslegitimação das conquistas contra o racismo. Este ST pretende promover o debate acerca de diferentes formas de organização que têm surgido para além das organizações partidárias, privilegiando trabalhos em curso ou concluídos, assim como a articulação de movimentos sociais e mobilizações no sentido de refletir, divulgar e trocar experiências. Desejamos receber propostas vindas de diferentes contextos luso-afro-brasileiros, objetivando, assim, intensificar e potencializar formas de pensar mobilizações nestas disputas, especialmente nas articulações entre os movimentos feministas, LGBT e suas diversidades. Por fim, consideramos cotejar tais embates a questões espaciais, refletindo e divulgando experiências intra e extra acadêmicas, referentes à ampliação de direitos em cenários tomados como reticentes aos avanços de direitos e práticas LGBTQI, étnico-raciais e de gênero.
COORDENAÇÃO: Bruno Puccinelli, Ramon Pereira Dos Reis

ST 47: Saberes, sujeitos, políticas e direitos em tempos de golpe

Em tempos de golpe e estado de exceção no Brasil, gênero e sexualidade têm estado no centro de disputas, controvérsias e conflitos. Nesse contexto, vimos a proliferação de intolerâncias, violências, retração de direitos, retrocessos. Mulheres e LGBTTIs estão entre os grupos mais atingidos, mas também têm produzido resistências, alternativas e espaços de criação a esses ataques. A proposta deste Simpósio Temático (ST) é discutir as articulações e as linhas de força acerca desses embates políticos, priorizando análises que considerem como marcadores sociais da diferença são mobilizados nesse cenário. Torna-se importante refletir e examinar como saberes, sujeitos, direitos e políticas replicam e/ou resistem interseccionados em termos de gênero, orientação sexual, identidade de gênero, raça, etnia, território, regionalidade, geração, classe social, deficiência etc. Interessa promover o debate crítico sobre as múltiplas diferenças e desigualdades que forjam distintos modos de existência e hierarquizações em diversos territórios, como saúde, educação, assistência e justiça. Afinadas às preocupações que emergem nesse cenário, buscamos nesse ST a produção de uma rede que potencialize estratégias de resistência e construção de linhas de fuga, que possibilite existências singulares e diversas. Apostamos na produção de conhecimento comprometida com a luta contra as desigualdades e que questiona a política contemporânea brasileira, marcada pela perda de direitos historicamente conquistados pelos movimentos sociais. São bem-vindos trabalhos de pesquisadores, estudantes e profissionais que analisem os processos de assujeitamentos e resistências dos sujeitos em diferentes territórios de existência; os processos de discriminação e exclusão no atual contexto político e social brasileiro; relatos de experiências profissionais; as novas formas de ativismo e projetos coletivos sobre possibilidades de transformação social.
COORDENAÇÃO: Anacely Guimarães Costa, Juliana Vieira Sampaio

ST 48: Saúde mental, gênero e interseccionalidades

O debate sobre a saúde mental transversa a luta política de diversos grupos à medida que problematiza culturalmente como os processos de subjetivação e de intersubjetividades configuram o campo identitário e as vivências de saúde e saúde mental. A interseccionalidade, com sua trajetória histórica que remete a luta das mulheres negras na produção desta categoria analítica, amplia seu escopo de preocupações quando inclui a saúde mental como marcador da diferença. Para além da problematização epistemológica, teórico-metodológica e de representatividade política, o tema da saúde mental exige a valorização da vida afetiva dos sujeitos e convoca profissionais do campo psicológico e psiquiátrico a reverem suas concepções diagnósticas e de tratamento, e a se posicionarem politicamente em torno dos processos de saúde e adoecimento. A pesquisa e intervenção em saúde mental investigam as condições de equilíbrio entre fatores de risco, que expõem ao adoecimento emocional, e fatores de proteção, que são os recursos individuais e sociais que atenuam ou neutralizam o impacto do risco, considerando os sujeitos em suas diversas comunidades, levando em conta as características específicas de diferentes populações. Fatores de risco para a saúde mental como tentativa de suicídio e suicídio consumado, abuso e dependência de substâncias, e presença de transtornos mentais necessitam de cuidado clínico, atenção psicossocial e efetividade de políticas públicas para atender as demandas que exigem intervenção em crise e transição de cuidados. A proposta deste simpósio temático é acolher experiências interdisciplinares na área da saúde mental, a partir da valorização da diversidade sexual, do gênero e da raça, com o objetivo de dar visibilidade a experiências de risco para diferentes grupos, problematizando relações familiares, grupais e profissionais nas vivências de cuidado, e apontando a necessidade de promover recursos protetivos a partir das políticas públicas e dos direitos humanos.
COORDENAÇÃO: Cristina Vianna Moreira Dos Santos, Mayk Diego Gomes Da Glória Machado

ST 49: Transversando e transbordando as “linhas”: histórias e memórias transviadas

Partindo do nosso campo de estudo, que é gênero e sexualidade, nos propomos a fazer um diálogo com a História e a Filosofia para pensar a memória, analisando trajetórias transviadas. O termo transviado, usado por Berenice Bento para abrasileirar o conceito queer, subverte a palavra viado, utilizada para generalizar e simplificar através de um xingamento, criando outra lógica, que a torna complexa, servindo como guarda-chuva conceitual, tão ou mais importante quanto transgênero. Histórias e memórias tranviadas não são apenas histórias e memórias de trans ou de viados, no sentido convencional das palavras, não se trata apenas de substantivos, transvia(da)r é um verbo, que não se conjuga apenas através da linguagem oficial da gramática. O termo transviado é um conceito político que representa todas as pessoas que são xingadas, cotidianamente, por causa da sua sexualidade, através de outras palavras como viado, traveco, sapatão, gilete, dentre tantas outras. A intensão é inverter os significados para que essas “vidas disparatadas” possam ser estudadas em suas singularidades, o propósito não é usar o conceito para apagar a complexidade que ele representa, pelo contrário, é partir dele para perceber que existem várias possibilidades de estudo. Por isso é tão importante conhecer as linhas (ou os versos) da vida e da escrita, entender como foram (ou estão sendo) construídas ou desconstruídas, como essas pessoas bordaram em vida a própria existência, enquadrando a própria memória, criando uma escrita de si, que em algumas ocasiões se transformaram em autobiografias. Ou, como outras pessoas enquadraram essas memórias, criando biografias. O objetivo desse Simpósio Temático é criar um espaço de discussão sobre os estudos que versam sobre essas vidas, destacando a maneira como foram (ou são) lembradas e/ou esquecidas.
COORDENAÇÃO: Luma Nogueira De Andrade, José Wellington De Oliveira Machado

ST 50: Travestilidades em resistência: negritudes, geração, renda e a contemporaneidade

Os atuais momentos de tensão política que regem o Brasil demandam compromissadas posições acerca de populações que sempre estiveram às margens dos direitos básicos, sexuais e reprodutivos na história nacional. Essa pauta dispara, a cada dia, necessidades em produção de conhecimentos e saberes que garantam as estilísticas das existências, rompam com os aspectos binários reprodutivos, falocêntricos, machistas, racistas, classistas e misóginos. Neste sentido, propomos trazer, para a arena dos diálogos, pesquisas e produções que problematizem estas novas configurações de gêneros, sexualidades, corporalidades e práticas sexuais dissidentes em detrimento aos padrões heterossexuais. Essas intenções estão atravessadas pelas posições e comprometimentos ético/estético/políticos para com pessoas com vidas precárias e que não têm suas necessidades básicas contempladas pelas políticas públicas vigentes, pelas atuações profissionais das variadas áreas de profissões e nas relações humanas do cotidiano. Sobremaneira, buscaremos garantir propostas que são atravessadas pelos comprometimentos fiéis às potências de vidas, na garantia de corpos que transbordam às biologias universais, aos gêneros que transitam e às práticas sexuais que são postas como dicotômicas aos anseios das classes dominantes na premissa das hierarquias dos gêneros. Logo, as interseccionalidades de raça/etnia, geracional, renda, mercado de trabalho e pobreza devem ser eixos norteadores de nossas discussões. A garantia de vidas travestis negras, pobres, sem acesso ao mercado de trabalho e em condições desumanas precisam balizar nossa posição diante do mundo e nesse importante encontro de ideias.
COORDENAÇÃO: Adriana Barbosa Sales, Wiliam Siqueira Peres

ST 51: Vociferações do desejo: a errância homoerótica na literatura

Imersa na história da humanidade, envolta a controvérsias, injúrias e tabus, a homossexualidade vem, aos poucos, ganhando desenhos mais definidos, malgrado ainda seja alvo de distorções conceituais e de discriminação. Estudos filosóficos, sociológicos, antropológicos e, mormente, psicanalíticos têm contribuído, de maneira decisiva, para dissipar a névoa da ignorância que ainda paira sobre o mundo, engessando concepções arcaicas sobre o gênero, o sexo e a sexualidade, as quais carreiam e estimulam atos de violência contra aqueles que, nas palavras do escritor e dramaturgo Oscar Wilde, albergam "o amor que não ousa dizer seu nome". Se, no outrora, a barbárie monástica dizimou milhares de mulheres inocentes, aniquiladas em fogueiras, sob a acusação de cooperarem com o demônio, na hodiernidade, a recorrência às artes de satã, como força propulsora do desejo homossexual, continua a servir de “argumento” para macular, corromper e neutralizar a atração e o afeto entre iguais. Os inquisidores transformaram-se em cidadãos homofóbicos que, diferentemente daqueles, desprezam, muitas vezes, os rituais de tortura (já que não almejam a confissão de suas vítimas) e privilegiam a cerimônia de mutilação e extermínio. Reativam, em prol de suas crenças, discursos oriundos da sexologia do século XIX, responsável por descingir o homossexual de sua sanidade, avaliando-o a partir dos signos da degeneração, da anomalia e da perversão. Este Simpósio Temático objetiva: a) Discutir, a partir de bases psicanalíticas, as representações homoeróticas que se subjetivam na e pela tessitura literária; b) Examinar, no texto literário (erudito ou popular, consagrado ou não-canônico, nacional ou estrangeiro), os matizes do desejo homossexual, em suas múltiplas travessias pelos territórios da história e da cultura. Desse modo, pretendemos contribuir para o estabelecimento de um diálogo conciliador, onde a Literatura surge como ferramenta que promove o debate, a reflexão e, consequentemente, convida-nos a imaginar outras possibilidades de laços sociais e formas de se relacionar com o outro.
COORDENAÇÃO: Amanda Ramalho De Freitas Brito, Hermano De França Rodrigues

IX Congresso Internacional da ABEH

Diversidade sexual, gênero e raça: diálogos Brasil-África